Domingo, 20 de Outubro de 2013
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Uma análise  vinda de um Português a viver nos EUA

 


Uma política de austeridade num país como Portugal irá sempre ter custos a longo prazo. Se por um lado se os cortes forem feitos a quem tem salários mais elevados, e uma vez que estes estão associados a qualificações mais altas, incentiva-se a emigração dos nossos trabalhadores mais qualificados e desincentiva-se os jovens a obter uma qualificação mais elevada. A prazo o capital humano acumulado decresce com consequências dramáticas no crescimento. Por outro, se os cortes forem nos rendimentos mais baixos, estas pessoas que lutam para se sustentarem podem entrar em incumprimento financeiro (com consequências catastróficas para o sector financeiro), agudizar tensões laborais (com diminuição de produtividade), aumentar a contestação social (legítima) para níveis que afectem a estabilidade, o investimento e consequentemente o crescimento de longo prazo e , finalmente, com menos recursos essas pessoas terão menos capacidade de proporcionar aos seus filhos níveis de qualificação superior com nefastas consequências sobre o capital humano. Ora cortar um ou outro lado vai sempre colocar em causa o crescimento e a sustentabilidade financeira do país (sem crescimento não se consegue sustentar a actual dívida). Portanto uma política de austeridade cega, é isso mesmo, cega um país, não o deixando ver o caminho de futuro. É necessário uma política diferente, de contenção financeira mas de crescimento, isso passa por várias coisas: alteração do paradigma das relações laborais - empresários e trabalhadores; uma visão muito concreta sobre o sistema económico em termos de concorrência mas tb de canais de distribuição (interna e externa) . Finalmente não sendo suficiente, ajudava uma reforma do Estado. No entanto também não penso que seja absolutamente necessária ser feita a partir do centro, porque se a economia e a cultura dos cidadãos mudar, obrigatoriamente o Estado muda pela pressão social - é que se diga: O ESTADO SOMOS NÓS, e se temos o Estado que temos é porque somos como somos.
de Pedro André Cerqueira - desde Amherst - Massachusetts. USA
publicado por alertamadrugada às 00:03
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